Olha eu aqui com 3 aninhos!

Memorial da Infância
História de minha vida (1968 a 1978)
Em 25 de julho de 1968, numa quinta-feira às quinze horas e quarenta minutos, no Hospital Centenário da cidade de São Leopoldo, minha mãe me deu à luz. Nasci ao som estrondos dos foguetes e artifícios em comemoração ao Dia do Imigrante. Um dia de muito sol, porém frio. Segundo o relato de minha mãe, Maria Izabel, fazia uma semana que minha avó materna Luiza, havia falecido e a alegria de minha chegada amenizou seu sofrimento, ajudando-a superar a dor da perda.
Fui uma criança muito desejada durante minha gestação e criada com muito amor, bem como mimada por ser a caçula e a única filha mulher. Meus irmãos sempre me protegiam e ajudavam a cuidar de mim. Minha mãe (Maria Izabel) conta, “Mana,(apelido carinhoso) tu sempre foste uma criança boa, calminha, meiga, bonitinha, moreninha, de cabelinho crespo, e gostava muito de acordar cedo e fazia carinha de choro para mamar. Começou a engatinhar com nove meses. Na tua festa de 1º aninho não podes participar, nem cantar parabéns, pois estava acamada com sarampo.”
Meu batismo foi na Igreja Católica São João Baptista e já havia feito um mês de idade. Minha mãe conta “Mana, tua roupinha de batismo foi feita pela avó Luiza, que além de professora também gostava muito de costurar e tricotar passava as noites tricotando e ajudando a fazer seu enxoval, e cismava que seria uma menina.”
Nos meus primeiros anos de vida, morei na Vila Baptista ao lado da casa de meu avô. Lembro dos pés de abacateiro nos fundos de minha casa, do jardim frente à nossa casa e até das lagartas e bichos cabeludos que apareciam nas árvores e folhagens.
Aos três anos de idade tive catapora e até hoje tenho uma pequena cicatriz na testa, devido ter coçado muito. Minha mãe, professora, sempre trabalhou e por isso sempre tive babá. Lembro de uma babá que uma vez me deu um chute no traseiro, porque havia saído de dentro de casa, chorei muito sentida com o acontecido. Não deu outra, quando minha mãe chegou, contei tudo para ela minha mãe ficou muito braba com a babá e a despediu.
Em 1972, aos quatro anos ingressei no jardim de uma creche que ficava frente à Escola Mário Sperb, onde minha mãe lecionava e ela dizia “tu fugias do jardim e vinha para a escola atrás de mim, chegava pertinho e perguntava o que eu estava fazendo.” Lembro que sentia muita saudade de minha mãe e queria ficar sempre ao seu lado e me sentia isolada, como um peixe fora da água na creche.
Em 1973 mudei de casa e passei a morar na Avenida Caxias do Sul, bairro Rio dos Sinos. E lá fiz amizade com uma menina de minha idade que se chamava Didiane, brincávamos todos os dias, éramos carne e unha, brincávamos de casinha, de escolinha, de comidinha...
Como era menina e a caçula, minha criação foi mais presa, não podia sair do pátio de casa e só tinha uma amiguinha para brincar. Quase sempre era ela que vinha para minha casa, eu pouco podia ir para a sua casa. Diferente da educação de meus irmãos que podiam sair de casa para brincar na rua com seus amigos.
Sempre gostei muito de bichos e volta e meia acolhia os cachorros e gatos abandonados que lá em casa apareciam, lembro que minha mãe ficava braba, pois eu tratava tão bem os bichinhos que eles não saíam mais de lá.
Adorava quando meu pai, minha mãe, meus irmãos, meu tio que morava conosco e eu íamos a passear até a Cascatinha, passávamos o dia lá fazíamos um belo piquenique, meus irmãos e meu tio até banho tomavam lá.
Um ano se passou e em 1974 ingressei na primeira série na escola e sala de aula de minha mãe como ouvinte. E no próximo ano ingressei numa escola estadual em que minha mãe lecionava na primeira série, minha professora se chamava Maria de Lourdes, e ela era calma, atenciosa e carinhosa. Era uma turma grande e uma sala enorme gostava muito de brincar com os blocos lógicos coloridos que montávamos coisas. A recreação era separada dos alunos maiores e brincávamos muito.
Meu pai tinha uma metalúrgica e sempre foi muito criativo, nesta época fabricou para mim um lindo balanço de ferro com dois bancos para quatro lugares que marcou dias e dias de minha infância no qual brincava com minha querida amiguinha Didiane. Nesta mesma época ganhei de Natal uma linda boneca que se chamava Anete a qual adorava.
No verão lembro que ficamos sócios da sociedade Orpheu, começamos a freqüentar as piscinas Iguaçu da sociedade. Todas as tardes nas férias minha mãe, meus irmãos e eu íamos tomar banho de piscina.
No ano seguinte, na segunda série, não tenho boas lembranças, tive uma professora mais rígida e severa em algumas atitudes, não gostava de conversa me deixava de castigo virada para o canto da sala. Jamais esquecerei da vergonha que passei, depois de ter pedido para ir ao banheiro várias vezes e de ela não ter deixado, fiz xixi nas calça e chorei muito.
A terceira série foi mais tranqüila, a professora era calma e explicava os conteúdos com paciência, além de ser dedicada. Neste ano também fiz a comunhão com meu irmão do meio numa igreja próxima a minha casa no Rio dos Sinos.
Recordo de uma vez que meu pai esqueceu de buscar meu irmão e eu na escola, num dia em que minha mãe na estava na mesma. Meu irmão então, resolveu ir a pé comigo para casa, fomos correndo pelas ruas, do bairro Scharlau até o Rio dos Sinos onde morava, e quando chegamos a casa nossos pais estavam apavorados atrás de nós. Para nós foi uma aventura.
Passado um tempo já estava maiorzinha e às vezes minha mãe me deixava ir à casa de minha prima Aline e passávamos as tardes juntas brincando.Aline era filha única e seu pai guia turístico e trazia muitos brinquedos de Manaus, lembro que seu quarto era abarrotado de brinquedos e ficava encantada.
No ano seguinte minha família e eu fomos para a nossa casa própria que havia sido construída no centro da cidade de São Leopoldo, e perto dela a duas quadras tinha uma escola estadual a qual passei a estudar, fiz lá a quarta e quinta série. Fiz muitas amizades na minha rua onde morava e na minha escola com meninas de minha idade. Todos os meus aniversários sempre foram comemorados com minha família, parentes e amigos, a festa de dez anos não podia ser diferente. Lembro que eu e minhas amigas passeávamos de bicicleta pelas ruas da cidade e assim comecei a conhecer melhor a cidade. Naquela época a cidade era calma não havia a violência de hoje e a população era menor e quase todo muito se conhecia.
Gostava muito da professora de quarta série que mais tarde foi colega de trabalho e amiga de minha mãe. Era uma pessoa doce e atenciosa. Suas filhas também fizeram parte de meu ciclo de amizades.
Já minha quinta série foi mais agitada a turma era “medonha” e lembro que não era bem vista pela escola. Tínhamos mais professores e nem todos gostavam de trabalhar conosco, eu particularmente, gostava muito das aulas de música, a professora tocava violão e eu participava do coral.
Todos os meus aniversários foram sempre bem comemorados com a família, parentes e amigos, e meus dez anos não podiam ser diferentes., além do mais estávamos na casa nova e era mais um motivo para ser comemorado. Foi neste ano também que meu gatinho sumiu, acho que ele não se acostumou com a casa nova.
Em toda a minha infância fiz amizades algumas passageiras outras duradouras que trouxeram muitas alegrias e acompanharam parte de minha trajetória de vida.
Maria Luiza R.Riess
Comments (3)
Anonymous said
at 3:31 pm on Jul 15, 2007
Olá Querida Maria Luiza!
Considero que a parte mais difícil do trabalho tu já fizeste: que é a coleta das memórias, ou seja, os acontecimentos datados.
Entretanto, estes acontecimentos datados devem estar inseridos nas próprias linhas do tempo (pessoal e geral). E estas linhas do tempo devem ser paralelas entre si.
Para exemplificar o que te escrevo, sugiro que olhes as linhas do tempo de duas colegas tuas: Marta e Neusa.
Bom: poderás fazê-las no PAINT, mas também existem outros recursos... a teu critério.
Para qualquer dúvida, contate-me.
OBS: Deves fazer um link desta página na tua primeira página... pois não está linkado!!!
Beijão pra ti.
Suelen - tutora da sede - SI2
Anonymous said
at 8:31 pm on Jul 24, 2007
M. Luiza!
Faço neste momento o registro de que a tua atividade do memorial foi postada dentro do prazo.
Entretanto, esta deve seguir a formatação padrão registrada na home do wiki de São Leopoldo, reproduzida abaixo:
Formatação do Memorial da Infância
- tamanho da letra: 12
- tipo de letra: times new roman ou arial
- espaçamento entre linhas: 1,5
- número de páginas: mínimo 2 e máximo 5.
- citações: entre aspas com o nome do entrevistado
Obs: escrevam o memorial, inicialmente, no word. Depois, anexar o documento no seu wiki.
bEIJão e para qualquer dúvida, entre em contato.
Suelen - tutora da sede - SI2
Anonymous said
at 4:40 am on Jul 27, 2007
Minha querida M. Luiza!
Farei alguns apontamentos com relação ao teu memorial:
1°) Como este memorial foi um trabalho de pesquisa, deve conter citações. Ou seja, foi a partir da pesquisa que conseguiu os acontecimentos datados e, desta forma, deve conter a fonte, ou melhor, a fala do entrevistado (entre aspas). Parabéns pelo teu texto satisfazer este quesito.
2°) Gostei da forma como tu situou cronologicamente o teu texto, sem ser repetitivo no início de cada parágrafo. Parabéns.
3°) Tu tens um olhar sobre tua infância... um olhar reflexivo que poderá ser articulado com as teorias estudadas nas interdisciplinas História e Infâncias e outras tantas. Desta forma, seria uma reflexão teórica acerca da coleta de memórias que fizeste com os teus entrevistados. Sentes dificuldades em realizar tal articulação?
Beijão bem grande e entre em contato para o que precisar.
Suelen – tutora da sede – SI2
You don't have permission to comment on this page.